terça-feira, 4 de março de 2008

Os sentidos e a saudade


No início me travesti em sentidos


Para depois me despir deles


Primeiro me despi do tato, para não mais sentir o firme toque das mãos alheias em minha cintura


Se seguiu a perda da visão, para não vê-lo passar por mim quando outras o acompanhavam


Então me libertei da gustação e da oportunidade de sentir aquele sabor de folhas frescas que emanava da boca dele a cada vez que nos beijávamos


E logo em seguida me despi da audição, para me esquecer da melodia de sua voz


Por fim me libertei do mais díficil, o olfato, que fazia o cheiro dele me perseguir por onde eu fosse



Agora só posso me travesti em uma coisa, a saudade

2 comentários:

Lee M. disse...

Melhor a saudade na alma que a lembrança alucinógena dos sentidos... De fato!

Lucaz disse...

maravilhoso, marina. quantas vezes quis escrever isso sem saber por onde começar.

chorei (por dentro e por fora).