
No início me travesti em sentidos
Para depois me despir deles
Primeiro me despi do tato, para não mais sentir o firme toque das mãos alheias em minha cintura
Se seguiu a perda da visão, para não vê-lo passar por mim quando outras o acompanhavam
Então me libertei da gustação e da oportunidade de sentir aquele sabor de folhas frescas que emanava da boca dele a cada vez que nos beijávamos
E logo em seguida me despi da audição, para me esquecer da melodia de sua voz
Por fim me libertei do mais díficil, o olfato, que fazia o cheiro dele me perseguir por onde eu fosse
Agora só posso me travesti em uma coisa, a saudade